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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Temas da Vida ♥ Janeiro!

Pois bem lembram-se do que vos propus aqui?! vamos começar!

          Memórias de Infância é o tema de Janeiro!

Todos nós de uma forma ou outra somos reflexo da nossa infância. As aprendizagens e experiências que ela nos trouxe reflectem-se bastante naquilo que somos hoje como adultos e também como pais ou futuros pais. 
Na fase adulta, as vivências da infância moram de uma forma especial no nosso coração e resgatam a lembrança de tudo o que vivemos numa época de inocência e simplicidade.   
           
Quais as vossas memórias de infância? Quem foram os vossos pilares? Que cores, sons e imagens vos traz?  O que mais vos marcou? De que forma ela se reflecte nos adultos que são hoje?

 Escrevam o vosso texto livremente e enviem para o email dofundodocoracao1@gmail.com até 5 de Fevereiro. Não se esqueçam de colocar no final do texto, o link do vosso blog/site caso tenham. 
Depois irei publicar os textos, aquele que for mais comentado ganha um prémio personalizado! 
Não precisam de seguir o blog, todos podem e devem participar, aqui o mais importante é a reflexão e partilha de experiências e a riqueza que nos poderá trazer! 

Se quiserem podem também sugerir temas para abordarmos ao longo deste ano!

Fico aguardar os vossos contributos!
Boa semana!!

Bjos doces




segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

O que esperar deste blog? E um desafio...

Imagem relacionada
(foto retirada do google)





















Bom, este blog tem a minha cara e uma coisa é certa coloco aqui muito conteúdo do meu coração! 
Neste nosso espaço gostaria de continuar a publicar aquilo que me vai passando pela cabeça, também coisas úteis, sítios que gosto ou que aconselho; produtos que gosto ou que compensam; itens de alimentação/vida saudável; criatividade com o: faça você mesmo; testemunhos, frases ou pensamentos com os quais me identifico; decoração; coisas de mãe e mulher; assuntos sobre Deus e família; e seria muito bom dar continuidade a uma ideia antiga, partilha de experiências e histórias de vida! Já vos disse que este espaço só faz sentido para mim sendo um lugar de partilha e de amizade. Mesmo quando não estivermos de acordo, mesmo que não nos identifiquemos podemos sempre aprender algo com o outro, com a vida e opinião do outro.  
 Assim, para que essa tal ideia possa resultar, preciso da vossa participação. À semelhança do que fiz há uns anos no desafio da infância, a ideia é lançar temas e quem quiser participar escreve um texto sobre o tema em questão e publicarei aqui com o nome e blog do autor. Para tornar mais estimulante para quem participa, quem tiver mais gostos e/ou mais comentários ao seu texto ganha um prémio simbólico que será personalizado. 
Gostava muito que pudéssemos então partilhar algumas opiniões/experiências/perspectivas sobre temas da vida.

O que me dizem desta ideia? 

Gostariam de participar?

Falem comigo!

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Vamos lá pôr ordem à casa!

Do desafio da infância acho que não há muitas dúvidas de que o texto mais comentado foi o 1º da minha querida Suricate, texto esse que também diz muito acerca da minha própria história de vida. Assim quando for ao correio enviar o miminho para a Suri aproveito e envio também o miminho de Natal (troca de miminhos da Anita) para a minha amiga secreta que fiquei hoje a saber quem é ;) !
Prometi também que ia publicar o meu texto da infância após o desafio... está para breve, já foi escrito há alguns meses mas hei-de ganhar coragem!

Entretanto estive uns dias sem a princesa M. ... estamos famintas da companhia uma da outra e hoje saio mais cedo do trabalho e será a tarde toda para brincarmos e aproveitarmos os mimos todos. Esquecer os afazeres, o relógio que não pára, as contas para pagar, os compromissos caseiros, e algumas questões de saúde que voltaram a chatear-me e ter tempo de qualidade para aquilo que realmente vale a pena! Tirar barriga de misérias da companhia da filhota e desta fase tão gira dos 3 anos.
Fico espantada com a velocidade com que tem corrido o tempo, já estamos em Dezembro e este ano, apesar de ter sido duro, passou tão rápido...
E voces não sentem o mesmo? Como têm passado?
Contem coisas!

bjo no vosso ♥

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Troca de miminhos no blog da Anita

Eu vou participar e voces?
Daqui!

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Árvore de Natal da Blogosfera 2013

 Este ano foi a Belle que tomou as rédeas da iniciativa por isso leiam, partilhem e participem!

 De forma a explicar as coisas de uma forma mais simples, vou fazê-lo por tópicos:

a) Serão ofertados Cabazes de Natal com bens alimentares. Cabazes que ao que espero sejam ricos, doces e recheados de carinho.

b) O primeiro cabaz é oferecido por mim (este está garantido :)). Pretendo adquirir alguns bens, fazer um peru de Natal gordinho e oferecê-lo. Oportunamente colocarei aqui uma foto do mesmo.

c) Os restantes cabazes serão compostos por bens oferecidos por todos nós ou seja por quem quiser/puder contribuir.

d) Todas as pessoas poderão concorrer aos cabazes e contribuir para os mesmos em simultâneo. No entanto ninguém é obrigado a contribuir para poder concorrer aos sorteios nem vice-versa. Só contribui quem desejar. Só concorre quem desejar

e) Quem quiser contribuir para os cabazes de Natal deverá enviar-me um email para pinkmaktub@gmail.com até ao dia 20 de Novembro de 2013 com a indicação do que pretende oferecer. Vou elaborar uma lista de bens (meramente indicativa; poderão contribuir com outras coisas) de forma a combinarmos o que cada pessoa poderá oferecer para não oferecermos todos o mesmo. Cada pessoa contribui com a quantidade que quiser. A lista de bens será brevemente aqui disponibilizada.

f) Cada pessoa que deseje contribuir, poderá fazê-lo com os bens que desejar (em género e quantidade) e poderá enviá-los via CTT para mim ou entregar-mos pessoalmente em Lisboa até ao dia 25 de Novembro de 2013.

g) As ofertas reunidas serão distribuídas de forma o mais equitativamente possível pelo número máximo de cabazes que se conseguir compor.

h) Os sorteios serão via random.org. Os contemplados que residam na área de Lisboa, poderão levantá-los pessoalmente. Os contemplados que residam no resto do país, recebê-los-ão via ctt devendo para tal acatar os portes de correio.

i) Será elaborada uma lista com o nome de todos os blogues que contribuam com ofertas devendo a mesma ser colocada brevemente aqui ao lado (excepto se solicitarem anonimato). Será também criada uma lista com todos os bens ofertados não sendo contudo identificada a origem de cada oferta.

j) Para concorrerem aos sorteios dos cabazes basta que deixem neste post a seguinte informação:

- Nome
- Blogue (nome e endereço)
- Email
- Link de partilha (quem partilhar a ANB2013 terá direito a uma entrada extra)

Estas são as únicas condições para concorrer à ANB2013.

k) As inscrições para concorrerem ao sorteio estão abertas até ao dia 25 de Novembro de 2013. Os resultados dos sorteios serão anunciados no dia 1 de Dezembro de 2013.

Havendo boa vontade, grande parte de nós pode contribuir com alguma coisa. Um pacote de açúcar, café, arroz, massa, azeite, óleo, atum, etc. Podemos todos juntos reunir um conjunto simpático de bens e fazer deste Natal, um Natal mais especial para todos nós. Para os que recebem o conforto e a ajuda de uma oferta inesperada que fará toda a diferença (há muitas pessoas a passarem muitas dificuldades económicas), para os que recebem uma simpática oferta inesperada (podemos não estar com sérias dificuldades mas sabe sempre bem receber uma prenda certo?) e para todos nós que recebemos a maior dádiva de todas: o sentimento reconfortante de fazer alguém feliz.
Participem e divulguem nos vossos blogues.
 
Todos juntos podemos fazer algo bom, realmente bom.
Todos juntos podemos fazer a diferença!
Estou à vossa espera!

Belle daqui!

sábado, 16 de novembro de 2013

do desafio da infância....

Gostei tanto.... foram 10 textos repletos de experiências boas, de cores e cheiros, com presença forte do papel dos avós e que nos fez reviver ou imaginar tempos passados e a real importância da infância naquilo que somos hoje. Como se vê não importa as coisas que temos porque somos feitos essencialmente de momentos simples, de experiências de amor, de partilhas, de afectos. Percebemos muito bem por estes textos o quão importante é nos sentirmos amados. Foi muito bom partilharmos juntos este reviver... desejo que saibamos transformar todas as lembranças boas e más em algo positivo e útil à nossa vida!
Em breve publico o meu texto da infância que escrevi à largos meses e que é talvez dos mais dificeis de publicar.
Peço-vos que leiam todos os 10 textos publicados e que comentem os que mais gostarem. Daqui a uns dias anuncio quem ganhou o miminho ;)
Bom fim-de-semana gente tão especial!
 

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Desafio: Infância... (10)

Infância fora de prazo
 
Quando escrevi à Mel a perguntar se ainda ia a tempo de escrever sobre a minha infância, o assunto do texto era Infância fora de prazo. Depois apercebi-me era muito mais que isso. Acho que há uma parte de mim que ficou lá atrás, e digo isto com orgulho. Tem de haver sempre um pouco de criança dentro de nós.
A minha infância foi normal, sem dramas, sem doenças graves, com amor, calma e saudável e com umas galhetas pelo meio. Era muito traquinas e distraída. Depois a minha mãe deixou-se disso, das galhetas, era ela que ia para o quarto chorar e eu ficava muito bem a brincar como se nada tivesse passado. Esquecia-me.
Tivemos (eu e o meu irmão) sempre tudo de acordo com o tamanho da carteira do meu pai. O meu pai ficou sem pai aos seis anos. Era uma forma de se compensar, da infância que não teve.
Tive outra coisa muito importante que não se prende a dinheiro. Valores. Honestidade. Humildade. Carinho. Sinceridade.
A minha mãe ficou em casa a tratar de nós, a brincar às escondidas enquanto o jantar estava no fogão. E olhem que a casa não era grande. Mas quando somos pequenos as coisas parecem maiores.
Quando trovejava dormíamos todos juntos. Não sei quem tinha mais medo. Se ela se nós.
Tinha muito amigos, muitos deles imaginários, tinha outros reais. Os policias da vila por exemplo eram meus amigos. Claro, vivia mesmo por cima do posto da policia. Desenhavam-me bonecas em papel, brincavam comigo e eu não saía de lá.
Uma vez ia sendo raptada por uma cigana. Não podia ver ninguém a comer tomate que dizia logo: "Ohhh, tenho fome
". E se não fossem os meus amigos reais, hoje já devia ser avó, e andava a vender roupa nas feiras. A cigana já estava a empacotar as coisas para se meter a caminho e achou-me muita graça. E eu, porque não?!? Enquanto houver tomate eu estou bem.
Sempre tive pancadas... uma delas foi embirrar naquele dia que queria leite azul. Há 40 anos atrás não havia corantes. Ou era leite branco ou leite com chocolate. Na minha casa havia sempre Nesquik. Mas naquele dia o leite tinha que ter outra cor. A minha mãe já em desespero dizia que não havia leite azul.. e o meu pai, sempre muito prático, sugeriu " compra-lhe uns óculos"!
Não me lembro de chegaram a comprar.
Os meus pais eram mais uns irmãos mais velhos, que nos limpavam os joelhos e as lágrimas, que estavam ali sempre que precisávamos.
Acho que tudo isto faz de mim aquilo que sou. Estou de bem com a vida. Claro que nesta fase adulta a única coisa que não combina é o meu peso. Mas se tudo fosse perfeito era uma monotonia e eu acabava por me cansar.
Mel, um beijo enorme para ti, para quem te lê, para quem me lê também.
Felicidades, do fundo do (meu) coração :)
Maria Xl

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Desafio: Infância... (9)

A minha infância teve de tudo um pouco, hoje aos 38 anos, quando olho para trás sei que, apesar de tudo, foi feliz.
Recordo principalmente os meus avós maternos, com quem passei mais tempo. Eles moravam no campo, ainda não tínhamos electricidade, água canalizada ou até mesmo casa de banho, dá para acreditar???
Lembro-me do padeiro trazer o pão fresco às quartas e sábados, do sr. Bronze vir trazer as mercearias(azeite, sabão, toucinho, açucar, bolachas, farinha predilecta, nestum, café) de 15 em 15 dias, de ir à fonte encher a bilha de água, de ir à missa no Domingo de sainha azul às pregas e camisinha branca.
Quando fecho os olhos ainda consigo sentir o cheiro da silagem(alimento do gado) quando ia ajudar os meus avós no trabalho, o sabor dos alimentos(tudo sabia melhor) especialmente as coisas da hortinha do meu avô, o farnel que levávamos quando íamos durante um dia inteiro pastar o gado.
Senti sempre um grande amor pelos meus avós e tenho muita pena de os ter perdido tão cedo.
Por isso acho que devemos sempre aproveitar ao máximo o que temos na vida, independentemente do que temos tirar sempre o melhor partido de cada coisa :))))
 
dreams do blog Pensamentos Difusos

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Desafio: Infância... (8)

Os dias de verão eram longos, secos e muito quentes e eu ?! eu levantava-me cedo e ía buscar o pão à padaria da Ti Matilde, recordo-me tão bem do cheirinho a pão quente, depois passava pela mercearia da vizinha Amélia onde comprava um saco de café de um quilo, ela tinha uma medida muito antiga e uma balança onde pesava o café e eu ficava a olhar os rebuçados de nata do outro lado da montra e a imaginar que no final do mês talvez a minha mãe me comprasse uns quantos. Não muitos, mas alguns. Depois passava pela vizinha e levava um litro de leite acabado de ordenhar por alguns escudos, poucos e ainda ía buscar os ovos que a tia Suzete tinha dito à minha mãe na vespera qe lhe dava em troca de umas alfaces fresquinhas que tinhamos no Quintal. Depois de um pequeno almoço de café com leite e pão quentinho com manteiga lá ía eu a pé para a escola ou então se fosse férias de verão ía ajudar o meus pais na quinta, plantava tomates, alfaces, agrião, ajudava a apanhar as azeitonas ou a fruta da época. E brincava com o meu imão no meio das tarefas, mas a brincadeira durava apenas alguns minutos até ouvirmos o grito do meuu pai autoritário e feroz e voltarmos ao nosso trabalho. Gostava de passar os pés pela terra molhada no meio dos carreiros por onde passava a água da rega fresquinha. Se tinha fome comia uma peça de fruta colhida e levada na hora . O meu pai era e é um homem rude e forte, forte de personalidade com ele aprendi que devemos respeitar a natureza e as pessoas, principalmente os vizinhos e quando não o fazia era castigada na hora com uma bofetada ou um aperto na orelha, com ele não havia cá carinhos ou atenções, só ordens e tarefas por fazer, com o meu pai aprendi como era o homem que não queria na minha vida. A minha mãe era doce, carinhosa, submissa ao meu pai e por vezes também ela (raramente) castigadora, com a minha mãe aprendi que o amor pelos filhos é mesmo incondicional. No natal não havia prendas, havia muitos chocolates e roupa nova. A minha mãe no mês de Novembro dava duas caixas de sapatos a cada filho, e todos os dias no comprava um chocolate igual, para colocarmos na caixam, chegava o dia de natal e a caixa estava cheia de chocolates, era a nossa prenda de natal.
Contei-vos um pouco da minha infância para que entendam este amor que tenho pela natureza, pelos animais, o respeito pela sabedoria das pessoas idosas e o meu sentido de cidadania e de ajuda ao próximo. A minha infância moldou o que sou hoje e se todos os dias digo ao meu filho e sobertudo lhe demonstro o quanto o amo foi porque o aprendi com o meu pai. E se escolhi um amor que já têm quase vinte e dois anos para acompanhar na vida e ser pai do meu filho, se escolhi essa boa pessoa, devo-o ao meu pai. Desde muito cedo aprendi a ser responsável e que a vida não é fácil, mas pode ser doce e terna como a minha mãe. Podemos não ter tudo o que desejamos ( como brinquedos no natal) mas temos, amor, flores, sol , amigos para brincar coisas simples que nos podem fazer pessoas felizes.
Maria do blog O mundo de Maria

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Desafio: Infância... (7)

Da minha infância

Para grande pena minha não sou recordações pormenorizadas, há momentos que me ficaram marcados para sempre, que guardo em mim, mas que na sua maioria já não sei descrever com o pormenor que gostaria. A minha infância foi feliz, só em adulta percebi o quanto. Nunca houve muito de bens materiais, mas houve muito de leveza, de liberdade, de realidade - os meus pais sempre me fizeram ver que não podia ter o que queria, mas o que a vida permitia - de amor, e é isso que eu recordo. Sentia amor, era tudo bom, as pessoas eram todas doces e davam-se bem. Pese embora eu me sentisse valentemente injustiçada e protagonizasse episódios como este.

Da minha infância livre e leve eu recordo:
A minha avó paterna, o grande marco da minha infância, as nossas deliciosas conversas sob a figueira do Paraíso, os seus deliciosos cozinhados só para mim, como aquela tigela de aletria à qual eu quis verificar a consistência e derramei no chão! O pequeno-almoço com o chá servido na caneca de morango ou na chávena das bolinhas verdes. As arrumações que eu fazia em casa dela, virava, revirava, e arrumava tudo à minha maneira. Ela deliciava-se e ainda elogiava as minhas habilidades. Os "cigarros" de vime fumados na lareira dela. Os ciúmes que a mãe tinha da avó.

Ser chamada de Câmbida pela amiga do infantário que não sabia dizer o meu nome, a Patrícia a quem eu já só recordo o nome, ela que ainda na infância emigrou e nunca mais vi.

As birras, pela manhã, na escolha da indumentária e do penteado mais adequado. Isto na altura do infantário, e que desde então nos acompanham em nostálgicas conversas, e roubam sorrisos. As calças, em tecido aos quadrados, que a mãe me fazia, e eram as minhas favoritas, a min-saia castanha, a saia de peito com cerejas. Muito vaidosa que eu era.

O desinteresse por comer, à excepção da vontade de devorar ovos estrelados com açúcar - valeu-me a alcunha de papa-ovos - e chocolates. Ser muito, muito gulosa.

O Príncipe Nicolau, colega da Primária, que todas as manhãs passava por minha casa para me acompanhar à escola, eu que morava a cerca de 20 m.

O corte curto de cabelo que a mãe insistia em manter, para fugir à praga dos piolhos, e a vontade de ter cabelos longos e caracóis.

As brincadeiras escondidas nos campos, com os meus vizinhos VIP.

A vizinha do lado, a tia Delminda (não era minha tia, mas na nossa zona havia o costume de chamar tios às pessoas de idade) uma senhora adorável nos seus 80 e alguns anos, para casa de quem eu ia brincar, e que se sentava à nossa porta a conversar.

Os almoços de domingo em casa de outra vizinha. Mal acabava a missa agarrava-me a ela para evitar que a minha mãe me proibisse de ir.

A vontade de descobrir o que guardava a minha madrinha nas suas nas gavetas.

A adoração por livros, por aprender, desde muito cedo ter começado a rabiscar os livros dos irmãos. Adorar ir para a escola.

Ser muito, mas muito "paizeira", e ficar cheia de mim quando diziam que eu era a cara do meu pai e que me tinha um carinho especial. As viagens de comboio em que ele me acompanhou, e tantas vezes me carregou ao colo, atá às consultas de oftalmologia no Hospital de S.to António.

O momento antes da anestesia fazer efeito à entrada do bloco cirúrgico para corrigir o estrabismo. O andar com a venda no olho à Camões.

O mau-feitio marcado, o fugir a rir quando a minha mãe me limpava o pó após eu ter feito asneiras. O ciúmes dos manos, bem mais velhos a quem ela dava muito mais liberdade, eu era uma incompreendida. :P

As brincadeiras de servir refeições onde o prato principal eram sempre os bolos de terra.

A noite de consoada em que se jogava ao par e ao pernão em família. A manhã de Natal e a busca do presente na meia. As noites seguintes à de consoada quando pela madrugada a mana me incumbia de ir buscar um prato de doces para comermos na cama.

Ser a Teca.

da minha Canca do blog Partilhar é bom!

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Desafio Infância... (6)

O melhor dos dois mundos
 
Cresci entre a terra e o mar.
Sou filha de palavras e cabos eléctricos e neta da terra e do mar. Desde sempre que tudo se construiu à minha volta como uma grande teia que me sustinha.
Tive o privilégio de me ter sido dado algo que hoje sei ser o bem mais precioso que se pode dar a alguém - tempo!
Ao contrário de quase todos os meus amigos cresci com todas as gerações da minha pequena família à minha volta, não havia idas à terra pois não havia essa necessidade a terra era ali e vivia-se no presente.
Cresci no meio de gente da terra e do mar com raízes fortes, humildes e contrastes que hoje pautam a minha personalidade.
Tive o privilégio de brincar na rua, de ir apanhar o pinheiro de Natal à linha do comboio quando a CP os deitava abaixo, de ir às castanhas e aos pinhões ainda nas árvores, de ter amigos de duas e quatro patas que eram tudo para mim, de ter um avô "planteiro" que cheirava a terra, a vinha e a fruta.
O verbo era uma constante com paredes forradas a livros e tardes a jogar às escondidas na biblioteca municipal enquanto este avô lia o jornal do dia. Do outro lado da família cheirava a sal, peixe e marisco fresco todos os dias quando o meu avô regressava do mar e não se podia fazer barulho de manhã porque ele estava a dormir.
Vestia modelitos de boneca que ambas as avós disputavam os créditos de costureira prendada e fingia perceber do assunto enquanto "vestia" bonecas com trapos e botões de alta costura :P
Escrevo desde que sei e fotografo desde que tenho como fazê-lo. Mas no meio de palavras, martelos, trapos, terra e mar não havia tempo para os escrever ou fotografar, havia tempo para absorver em imagens e guardar memórias, para sorrir e ser feliz entre dois mundos tão diferentes e tão iguais.
Hoje tornei-me designer, não de trapos mas de ideias, não passo 1 semana sem por os pés na praia, sem cheirar a sal e apesar de não beber vinho adoro o cheiro da terra da vindima. Gostei de ter crescido a saber que o leite vem das vacas e não do pacote, deter sempre os joelhos esfolados, os vestidos rasgados e os dedos doces dos suspiros de sexta-feira à tarde.
Mais do que bem comportada era feliz.
Cresci entre avós e rugas de uma família envelhecida que me deixou o que sabia e podia ensinar. Deixou-me nos tempos difíceis, a importância de nos manter-mos juntos, de nos defendermos de quem nos quer mal e que a terra é a nossa maior herança física e que sob pretexto algum jamais se vende e já mais se luta com alguém que amamos por ela. Ensinou-me que dinheiro faz muita falta mas que não é tudo e por motivo algum vale a pena ir para a cama zangado com alguém. Ensinou-me que os avós não são trapos amarrotados, são baús do tesouro que nos levam pela mão até percebermos que na realidade eles é que precisam da nossa e que tudo o que guardam dentro deles é nosso se o quisermos receber, em todo o tempo que cá estão para nos dar, até deixarem de ter tempo para o fazer, até deixarem de cá estar!
 
 

sábado, 9 de novembro de 2013

Desafio: Infância (5)

Andava na 2ª ou 3ª classe? Por aí....

Tinha sido um fim de semana em cheio. No sábado de tarde tinha ido ver um jogo de futebol com o meu pai e depois ainda tinha ido a uma festinha de anos que era sempre um acontecimento. Como hoje para a pequenada.
 
No domingo, passara-o a jogar futebol. Bem ouvira os meus pais a avisarem-me: não tens trabalhos da escola para fazer? Xii...tinha esquecido, mas o futebol era com a água que corre no rio. Fresca, pura e saborosa...e eu bebi, bebi, na alma, no corpo sedento daquela frescura.

E chegou a segunda de manhãzinha. Quando a minha mãe me foi acordar para ir para a escola, o raciocínio foi rápido:
- Mas mãe, já te disse que hoje não tinha escola. A professora avisou que hoje não havia aulas, porque tinha d ir ao médico!
- Não, respondia a minha mãe, não me tinhas dito nada. Esqueceste-te foi o que foi...dorme então mais um pouco.

Mas a água, aquela fresca e pura, não deixa mesmo de correr. E por vezes...a minha mãe, dois ou três dias depois veio a saber, vá lá saber-se por que carga d'água tinha que descobrir, que eu não tinha ido à escola e não tinha feito os trabalhos.

oi o diabo. Deixei de jogar futebol durante duas semanas, fiquei sem os patins durante o mesmo tempo, não fui ao futebol com o meu pai e todos os dias que demorou o "castigo" refiz vezes sem conta os trabalhos que não tinha feito. Ainda hoje sei as linhas de caminho de ferro do país todas...mesmo as desativadas.

Aprendi que a mentira tem sempre perna curta.

Sabem uma coisa: Muitos anos depois, esta história vem-me à cabeça porque o meu filho fez uma coisa muito parecida... a minha reação foi muito mais racional mas não esqueci o que os meus pais naquela altura me "ensinaram".
 
JP do blog Ao sabor da Pena

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Desafio: infancia... (4)

O respeito pela liberdade e a liberdade pelo respeito...
 
Sempre tive tendência de ser esquerdina, vulgo canhota. A minha mãe nunca o aceitou nem tão pouco permitiu que eu utilizasse a mão esquerda para escrever, pintar, pentear ou até comer. Não por maldade mas por ignorância. E violou uma parte da minha essência porque eu era canhota e ao privar-me desta minha liberdade, desrespeitou-me e tive de me adaptar. Chegou a ralhar-me, a bater-me porque me julgava "anormal". Quando entrei na escola primária, recomendou a professora para não me deixar pegar com o lápis na mão esquerda e recordo bem do quanto me sentia incompreendida.
Às escondidas dela, treinei, pratiquei e fui crescendo a saber utilizar as minhas mãos ao mesmo tempo, para tudo. Hoje em dia só sei lavar os dentes com a mão esquerda, assim como só sei maquilhar o  meu lado esquerdo com a mão esquerda, só sei enfiar a linha na agulha com a mão esquerda e sei escrever com ambas, de igual forma. Também sei comer só com a esquerda e faço as minhas unhas de gel sozinha e a mão direita fica sempre melhor mas sempre me senti castrada. Até que finalmente também eu sou Mãe.
E a minha filha é canhota, desde muito cedo se revelou, em tudo e eu sinto um orgulho tremendo disso. É a única na sua sala que é assim, ela sabe e gosta de ser "diferente". Pinta, come, lava os dentes e usa a sua mãozinha esquerda para tudo.
Continua a incomodar a minha mãe mas nada faz para contrariar aquela que é a sua netinha.
E na minha filha, posso espelhar o meu sentimento de vitória sobre o que sou e sempre fui mas do qual fui privada, desde a minha infância.

Karochinha do blog "O meu Eu"!
 
 
 

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Desafio: Infância... (3)

Não tenho muitas recordações claras da minha infância...
Lembro-me muito da minha avó...
Lembro-me que queria muito um irmãozinho ou irmãzinha... não gostava de estar sozinha e assim com irmãos seria diferente...
Lembro-me que não gostava que me colocassem em atividades sem me dizer nada apenas dizendo "vai-te fazer bem"...
São estas as principais recordações... nada de mais... com a consciência de que os meus pais fizeram o que souberam e da forma que acreditavam ser a melhor...
O que influenciou na minha forma de viver e educar?
Influenciou muito... apesar de desde que a minha filha fez um ano estar na creche e ter contacto com outras crianças, sempre soube que não queria ter um filho único...
Quando é preciso escolher alguma atividade é sempre escolhida de acordo com o que ela gosta mais... não a coloco em atividades por colocar nem por as atividades estarem na moda...
O mesmo acontece quando compro alguma coisa... se vou comprar uma camisola para ela e ela está comigo, se escolho uma e ela gosta mais de outra, desde que o preço e a qualidade sejam semelhantes, opto pelo que ela escolheu...
Se a diferença é pouca ou nenhuma, não há necessidade de andar na atividade ao lado da que gosta...
Tento criar momentos que ela gosta... um passeio, o ir jogar à bola, o ver desenhos animados com ela... deixa-lá ajudar nas tarefas (mesmo que depois tenha que as ir fazer outra vez)...
Muitos momentos a 2 e a 3 (daqui a uns meses a 4 também)...
Tentar que seja feliz e que tenha recordações desses momentos felizes...
nat.
visitem o blog da nat. aqui!

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Do desafio!

Só um pequeno esclarecimento, por norma tento responder sempre aos vossos comentários mas no caso do desafio da infância não farei comentários nos textos porque os mesmos serão contabilizados no final do desafio para o vencedor do "miminho". Será algo simbólico e o importante é haver uma real partilha de experiências e perspetivas.
O objetivo foi dar um tema vasto: A importância da infância nos adultos que somos hoje, e a partir dai cada um escrever um texto tendo em conta a sua experiência pessoal.
A riqueza está precisamente no facto de cada um ter abordado o tema de forma diferente!
Tem sido uma bênção receber os vossos textos e publica-los neste espaço que é nosso.
Amanhã há mais!

Fiquem por ai, comentem os vossos textos favoritos e se quiserem ainda vão a tempo de participar até dia 10 Novembro enviando um texto para o e-mail dofundodocoracao1@gmail.com.

Bjos doces!

Desafio: Infância... (2)


Das Ausências dos vivos…

"A dor de ter um pai para quem estou morta estando viva, é muito maior do que a dor de fisicamente o perder.”
Março 2013
 
O meu pai era o meu companheiro, o meu ponto de luz numa meninice que foi complicada, era o colo onde eu encontrava o mimo que não recebia da minha mãe, na juventude era a ele que confiava os meus segredos os meus amores e desamores, foi a ele que entreguei muitas das minhas lágrimas e para a minha profunda tristeza ele tinha sempre um gesto, uma palavra.
O meu pai não era católico, a família seguiu-lhe os passos, eu incluída, mas chegou a juventude, chegou a rebeldia, chegaram os porques e os porquês, eu queria resposta para tudo. Vieram os desentendimentos, as discussões quase diárias e os confrontos e inevitavelmente o dia em que eu disse "Basta!"
Escrevi uma carta e expulsei-me a mim própria, uma vez que era da praxe o líder da comunidade expulsar os pecadores... eu não lhe quis dar esse prazer e saí pelo meu pé e pela porta da frente!
Nesse dia morri para o meu pai, uma vez que mandam as regras daquela seita que quem sai nunca mais poderá ter laços com quem fica e isso inclui separar pais de filhos e filhos de pais, os laços familiares não interessam, fala mais alto o fanatismo.
De uma só vez perdi o enfermeiro/ médico, o companheiro de todas as horas, o amigo, mas acima de tudo, perdi-te pai. 

Sei que não falas comigo, sei que não vais ler isto, mas gostava apenas de te dizer que tenho saudades das nossas conversas que desde que não incluíssem religião eram amenas, agradáveis e divertidas.
Tenho saudades do passar das tuas mãos ásperas no meu cabelo, tenho saudades de fazer cavalinho no teu joelho, tenho saudades de quando me dizias "porque choras minha filha, porque não acreditas no teu pai se te digo que és linda, filha..." nunca mais acreditei em ninguém, e aviso-te já que estou zangada porque nunca mais ninguém me veio atracar os cobertores a meio da noite como tu fazias, nunca mais as bolas de berlim foram cremosas, doces e fofas como as que tu compravas só para mim ao domingo e nunca mais os passeios na Ribeira tiveram cheiro a tremoços e azeitonas no fim das tardes de Verão...tenho saudades tuas paizinho.

Suricate



 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Desafio: Infância.... (1)

Quero dizer-te

Obrigada por nunca me teres beijado só assim aprendi o valor de cobrir as minhas filhas de beijos.
Obrigada por nunca me teres abraçado, assim aprendi o importante que é sentir o aconchego de um abraço.
Obrigada por nunca me teres dado colo, só assim percebi que bom é dar colinho até deixar de sentir os músculos das pernas.
Obrigada por nunca teres estendido a mão a cada tombo que dei, ensinaste-me que o importante não é o tombo, importante é as minhas filhas saberem que estarei sempre junto delas para lhes lamber as feridas, para se levantarem, nem que seja para caírem outra vez, as vezes que for preciso.
Obrigada por nunca teres sentido ou secado as minhas lágrimas, contigo aprendi que as minhas filhas nunca chorarão sozinhas.
Obrigada pela frieza seca dos teus lábios de onde nunca saiu um elogio, foi nos teus lábios que aprendi a crueldade de um silêncio. Contigo aprendi a fazer a festa a cada sucesso das minha meninas.
Obrigada por este buraco no peito, assim pude preenchê-lo de amor por quem me ama e hoje transborda dele a vontade de dar o que nunca recebi.
Obrigada por nunca teres reconhecido os teus erros sem saberes ensinaste-me a pedir desculpa sempre que erro e a ter sede de querer ser sempre mais e melhor.
 
Obrigada pelo teu desprezo ele fez-me perceber que nunca serei capaz de te desprezar, como tu me desprezas. No dia em que estenderes a tua mão, eu estarei lá para te ajudar a levantar. Se um dia abrires os teus braços, dar-te-ei o abraço de uma vida inteira. E se um dia quiseres um beijo meu, basta olhares-me nos olhos e reconheceres a filha que nunca beijaste, nesse dia, o meu beijo repousará na tua face, minha Mãe.
Suricate

Quem não conhece tem mesmo de visitar este blog aqui!
 
Ps. Identifico-me muito com este texto e acho que é um grande exemplo de força e coragem!
És grande e tão linda Suri!!
 
Amanhã há mais!! =)
Bom dia a todos!

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Amanhã

começo a publicar os textos do desafio que lancei sobre a infância. Os textos serão publicados pela ordem que têm chegado e o texto com mais comentários ganha um miminho que depois enviarei via CTT.
Quem não participou ainda vai a tempo até dia 10 Novembro!
Espero que gostem do resultado.

Boa semana para todos! =)

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Infância...



...o que vos diz esta palavra? Que cores, sons e imagens vos traz?  O que mais vos marcou? De que forma ela se reflete nos adultos que são hoje?

Informo que está oficialmente alargado o prazo para a entrega dos vossos textos até dia 10 de Novembro! (JP espero que chegue ;)
Conforme leio os vossos textos vou me sentindo um bocadinho mais rica! Na próxima semana começo a partilhá-los por ordem de chegada!
Entretanto desejo-vos um excelente fim-de-semana!
E já estamos em Novembro...

bjos doces nos vossos corações!

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

A importância da infância nos adultos que somos hoje!



Aguardo os vossos textos... simples ou complexos, profundos ou nem por isso o que importa é a partilha de experiências e a riqueza que ela poderá nos trazer! No fim publico o meu...

Ps. Obrigado pelas vossas palavras de apoio no post de ontem, foi um desabafo...
Hoje já fui a correr dar imensos beijinhos à princesa antes dela ir para a escolinha e levar-lhe o pequeno-almoço! Ontem custou... provavelmente na 6ªf quando me despedir dela novamente também custará. Até lá aproveitar ao máximo os momentos que estamos juntas e além das brincadeiras e palhaçadas a ver se arranjo um momento oportuno para conversarmos mais um bocadinho sobre a nossa nova vida!
Bom dia!